INÍCIO /// OPINIÃO
 
 
 
 
 
4.º Artigo: O Escuta é amigo de todos e irmão de todos os outros Escutas.
Artigo publicado a 2015-11-26 /// 941 visualizações
 
A Lei do Escuteiro no pensamento de Baden-Powell: 4º artigo
Carlos Alberto Pereira, antigo Chefe Nacional, debruça-se sobre os artigos que compõem a Lei do Escuteiro
Depois do primeiro, segundo e terceiro artigos de reflexão sobre a Lei do Escuta, apresentamos o quarto artigo da Lei, a partir da explicação que o próprio Baden-Powell apresentou aos caminheiros, no livro que lhes dedicou: A Caminho do Triunfo, editado pela primeira vez em 1922.

4º artigo - O Escuta é amigo de todos e irmão de todos os outros Escutas

«Como Caminheiro reconheces que os outros, são como tu, filhos do mesmo Pai e menosprezas quaisquer diferenças de opinião, casta, crença ou nacionalidade que possa haver entre vós. Recalcas os preconceitos e descobres-lhes os méritos; os defeitos qualquer pateta lhos sabe criticar. Se praticares esta caridade para com os naturais doutros países e contribuíres para a paz e bom entendimento entre as nações, realizas o Reino de Deus sobre a terra.

«Todos os homens são irmãos»

Sábias palavras com que o fundador do escutismo explicou este artigo aos caminheiros, em 1922, num tempo em qua a Europa ainda fazia contas aos estragos da Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914, tendo-se os combates prolongado até à assinatura do armistício de Compiègne, a 11 de novembro de 1918, mas cujo tratado de paz só foi assinado a 28 de junho de 1919, na sala dos espelhos do palácio de Versalhes, e que a atualidade ensurdecedora as reveste com o manto da pertinência face aos hediondos massacres de Paris.

Este artigo leva o escuteiro a tomar consciência que as diferenças entre cada um de nós são fatores de enriquecimento, percebendo que o bem-estar dos outros contribui para o nosso próprio bem-estar, tal como cada um de nós contribui para o bem-estar de todos e de cada um deles, e tomando consciência que a amizade é o elemento fundamental neste relacionamento, é ela que potencializa e fortalece a relação de cooperação e de complementaridade, construindo a felicidade individual e coletiva.

Como ressoam bem fundo nas nossas almas as palavras de Saint-Exupéry: «se és diferente de mim, irmão, em vez de me prejudicares, enriqueces-me», ou ainda «ser homem, é precisamente ser responsável. É sentir que, colocando a sua pedra, se contribui para a construção do mundo». Só acolhendo no nosso coração estas palavras, o horror de Paris não alimentará novos ódios nem outras vinganças, mas sim uma compaixão sedenta de justiça.

Texto de: Carlos Alberto Pereira. Imagem de: Direitos Reservados
 
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