INÍCIO /// NACIONAL
 
 
 
 
 
Mais de 120 guias reunidos em São Jacinto
Artigo publicado a 2016-10-29 /// 5343 visualizações
 
Fez-se história no CNE!
CNE realiza 1.º Conselho Nacional de Guias
No âmbito da estratégia de envolvimento dos jovens desenvolvida pela Secretaria Nacional Pedagógica foi lançado, a toda a associação, o desafio de realizar o 1.º Conselho Nacional para Guias. O desafio foi aceite e no fim de semana de 29 e 30 de outubro reuniram-se em São Jacinto, Região de Aveiro, mais de 120 guias de todo o país.

Cada região teve a oportunidade de, previamente, selecionar dois guias por cada secção como participantes no Conselho Nacional de Guias. O encontro, inédito no CNE, trabalhou o efetivo envolvimento dos jovens e incentivou à participação destes nas diferentes estruturas em que estão inseridos (local, núcleo, regional e nacional) através do jogo e num cenário muito especial para todos os escuteiros, a natureza.

O 1.º Conselho Nacional de Guias deu a conhecer a estratégia de envolvimento de jovens, designadamente no planeamento/desenvolvimento de oportunidades educativas, destacando o papel do guia em todo o processo. Em simultâneo com o Conselho Nacional de Guias decorreram também os Comités Nacionais dos Adultos e do Programa Educativo.

Lobitos, Exploradores/Moços, Pioneiros/Marinheiros e Caminheiros/Companheiros foram agregados em pequenos grupos e, quer fosse através do jogo, quer fosse através de pequenos fóruns de trabalho/discussão, abordaram a estratégia de envolvimento dos jovens. No final do dia todos concordavam com a pertinência e importância da realização de iniciativas como o Conselho Nacional de Guias.

O Conselho Nacional de Guias proporcionou momentos de troca de experiências e boas práticas. “Aprendi muitas coisas de outras regiões, outras atividades, formas de fazer. Eu sinto que, hoje, fui ouvida”, concluiu Leonor Ricardo Lobita do Agr. 10 Cedofeita, Região do Porto.

“Hoje pude conhecer pessoas diferentes e perceber o que as outras regiões fazem de diferente. Por exemplo, no meu agrupamento fazemos reunião de guias de agrupamento e juntamos guias e sub-guias com chefes de secção e percebi que existem agrupamentos que não o fazem”, destacou Lourenço Boal Koehnen Explorador do Agr. 295 Nossa Senhora da Conceição, Região de Vila Real.

Lourenço salientou ainda a importância do investimento nos jovens e a confiança que deposita na implementação das propostas elaboradas. “Os exploradores devem ser ouvidos porque os jovens de hoje são os profissionais de amanhã, os médicos, os professores, os futuros chefes nacionais, os futuros chefes de secção e os futuros chefes de agrupamento. Hoje fomos ouvidos, pudemos dar a nossa opinião e só espero que de hoje em diante as coisas possam melhorar”, concluiu.

“O envolvimento de jovens deve acontecer logo desde as primeiras fases do escutismo, os Lobitos têm todo o direito de estar presentes nos processos de tomada de decisão e pelo menos a serem escutados, o direito de voto já é um pouco mais questionável, mas a serem escutados devem ter direito”, explicou Rui Oliveira, Caminheiro do Agr. 455, Região de Braga.

Rui Oliveira abordou também o facto de os Caminheiros não terem assento nos Conselhos Nacionais. “Neste momento a participação a nível nacional está reduzida a zero e o objetivo é nós passarmos a ter realmente assento. Não faz sentido na nossa vida social termos voto para determinar tomadas de decisão e depois chegamos aos escuteiros e não temos esse poder”, declarou.

Rui sublinhou ainda a importância que o CNE tem enquanto escola de participação e de cidadania. “O CNE deveria preparar as pessoas para serem melhores e depois não prepara no que diz respeito à participação cívica”, clarificou.

Quando questionado sobre qual o método utilizado para recolher a opinião dos participantes João Sousa, Adjunto do Secretário Nacional Pedagógico para o Programa Educativo, explicou que o percurso que propuseram passava por, em primeiro lugar, explicar o que é que já existe, ou seja, como é que são, atualmente, envolvidos no CNE; e depois, em segundo lugar, foram convidados a dizer o que gostariam de vir a fazer neste âmbito.

No final do dia os guias puderam partilhar com os responsáveis pedagógicos, que também estavam presentes neste encontro em virtude da realização simultânea do Comité Nacional do Programa Educativo, qual a sua opinião sobre temas pedagógicos.

“Vão sair propostas para enriquecer a estratégia de envolvimento dos jovens, esse é um dos propósitos. Na proposta de envolvimento dos jovens há questões que passam por alterações estatutárias e regulamentares do CNE se falarmos de alguns itens que implicam votação ou participação em órgãos próprios do CNE e isso tem obviamente de seguir os seus trâmites normais. Mas daqui saem propostas vincadas do caminho que se pretende fazer com a magia de que os jovens foram envolvidos nesse percurso”, salientou João Sousa.

“Saem também deste Conselho Nacional de Guias um conjunto de boas práticas que podem ser implementadas a nível de agrupamento, núcleo ou região. Há um reforço de mecanismos já existentes, melhoria de boas práticas que podem ser disseminadas por todo o país e pistas para alterações regulamentares que o CNE depois pode vir a adotar nos seus meios próprios”, concluiu.

João Sousa assegurou também que estas propostas serão discutidas pelas entidades competentes. “No âmbito da Secretaria Nacional Pedagógica, que facilitou este encontro, o objetivo é levar esta estratégia de envolvimento dos jovens aos órgãos competentes para que elas sejam atendidas quando se falar em alterações regulamentares”, garantiu João Sousa.

Quando se menciona auscultar Lobitos, Exploradores/Moços, Pioneiros/Marinheiros e Caminheiros/Companheiros o processo pode complicar-se. Inês Graça, elemento do grupo de trabalho da estratégia de envolvimento dos jovens, sublinhou que apesar da estruturação da atividade não ter sido fácil produziu resultados práticos relevantes. “Foi difícil construir esta atividade para as quatro secções mas houve sempre a preocupação de encontrar dinâmicas que se adaptassem. Claro que nos Lobitos é tudo muito à base do jogo e da brincadeira mas conseguimos questionar na mesma. Foi capaz de se fazer. Se foi difícil? Foi um desafio para todos”, confidenciou.

Texto de: Ana Isabel Silva. Fotografia de: Gonçalo Vieira.
 
Bookmark and Share