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Os caminheiros iniciaram o seu 23.º Acanac, numa missão que os projetou em direção a aldeias, gentes e culturas.
Artigo publicado a 2017-08-02 /// 88 visualizações
 
Papas arrozadas ao som de adufes
O que podem ter em comum, umas “papas arrozadas” e um “adufe”? A resposta é… Proença-a-Velha.
Foi aí, no Salão Polivalente, que fomos encontrar um número invulgar de jovens, atendendo ao facto de estarmos numa aldeia do interior desertificado do país. São os caminheiros do Corpo Nacional de Escutas (CNE), que iniciaram o seu 23.º Acanac, numa missão que os projetou em direção a aldeias, gentes e culturas. Foi assim que algumas tribos de caminheiros chegaram a Proença-a-Velha onde, cansados, eram esperados por uma população ansiosa.

O acolhimento…
“Fomos muito bem-recebidos, nós chegámos tardíssimo e tínhamos uma sopa quente à nossa espera”, diz Carolina Simões no momento em que, diante de um grande tacho, mexia uma iguaria de Proença-a-Velha. Chamam-se papas arrozadas e eram uma sobremesa típica nos dias frios da apanha da azeitona. Agora, a receita foi partilhada e uma caminheira do Agrupamento 72 assumia a tarefa de as confecionar.
“Não é difícil, estas senhoras foram sempre ajudando e até já tenho a receita na cabeça”, diz esta escuteira de Abrantes.

Mas logo ao lado muitos caminheiros perdiam-se entre caixas de cartão, tiras de tecidos, e o desafio que é construir um adufe, esse instrumento de percussão tão característico desta região. Ana dava as orientações e passava a informação acerca deste instrumento em forma de tabuleiro.

“O adufe remonta à época da ocupação islâmica e já só se encontra nesta região do país”, conta-nos esta dinamizadora cultural que nos lembra que, “pela tradição, o adufe estava reservado às mulheres que o tocavam nas noites frias e cantavam melodias antigas que passavam de geração em geração”.

Foi neste universo de autenticidade etnográfica e humana que os caminheiros mergulharam, para uma experiência que os ajuda a entender melhor o que se espera de quem traz o lenço vermelho ao pescoço.

“Ui… essa é difícil…”
A expressão saiu imediata da boca da Carolina quando lhe perguntámos o que significava ser caminheira. “Nós já fizemos tudo o que podíamos para crescer por fora. Agora, o desafio é crescer por dentro ser uma pessoa melhor”, afirma.

E crescer “por dentro”… é? “É tornarmo-nos bons, ajudar os outros em qualquer circunstância, saber servir que é o nosso lema”, refere Carolina Simões. Perto, Rodrigo Pinto sorria e confessava: “O escutismo é a minha vida… ser caminheiro é espetacular”, diz este escuteiro da Região de Setúbal.

“Se não fosse escuteiro acho que não seria uma pessoa tão prestável, tão proativa, tão dada ao próximo como me esforço por ser. É isto que nós aprendemos nos caminheiros, sermos nós próprios e sermos para os outros”, acrescentava este caminheiro do Agrupamento 415 de Santa Maria da Graça.

Na madrugada desta terça-feira, mais de dois mil escuteiros, com idades entre os 18 e os 22 anos, saíram do Centro Nacional de Atividades Escutistas que acolhe o 23.º Acanac, para uma missão de três dias, através das aldeias de vários conselhos do centro do país.

Texto de: Henrique Matos. Fotografia de: Nuno Perestrelo.
 
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