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Nós e ligações mais conhecidos para montarem as infraestruturas necessárias.
Artigo publicado a 2017-08-05 /// 67 visualizações
 
Técnica escutista é um dos pontos altos do Acanac
O Acanac é o culminar de um ano e o local ideal em que a técnica escutista é testada para se ter a melhor e mais vistosa das construções.
Prova disso são os pioneiros que, entre centenas de barrotes e metros de espia, usam os seus nós e ligações mais conhecidos para montarem as infraestruturas necessárias para viverem neste acampamento de sete dias.

A 3.ª Secção tinha como construções obrigatórias a mesa de refeições, a cozinha, o pórtico e o oratório, mas várias são as comunidades que se aventuraram a construir o seu próprio abrigo elevado. “Como nós somos pioneiros, e não gostamos de dormir em tendas, quisemos fazer uma construção mais a sério”, afirma o pioneiro José Martins, da comunidade Thomas Young que é composta pelas comunidades do Agrupamento 467 – Charneca de Caparica e do Agrupamento 690 – Barreiro, ambas da Região de Setúbal.

Em termos de pioneirismo, o CNAE tem “um solo complicado para se cavar”, afirma o José. Então, em comunidade “decidimos fazer uma estrutura que fosse estável o suficiente para que não fosse necessário fazer buracos e aguentasse com os 40 (pioneiros) lá em cima”. E explicou-nos que “a maioria das vezes que nós fazemos as construções é sempre com o nó de botão em esquadria, mas como começámos a usar barrotes em ângulos diferentes, utilizámos mais o botão em cruz para poder suportar os travamentos com o nó mais adequado”, tendo assim atenção à segurança e durabilidade do abrigo.

A comunidade 84 do Agrupamento 326 – Idanha-a-Nova, pôs a sua técnica escutista à prova ao tear um tampo para a sua mesa de refeições. “Nós não tínhamos tampo e começámos a fazer com corda”, disse Raquel, provando que têm a criatividade para se adaptarem às situações adversas. Utilizaram também para o seu oratório a técnica de froissartage, que consiste em fazer entalhes na madeira. “Não costumamos utilizar, mas decidimos fazer para aqui”, sublinha a pioneira.

Mas não se trata apenas de construir. O transporte da madeira das suas cidades para Idanha-a-Nova é também uma aventura para muitos. É o caso da comunidade Diogo de Teive, composta pelos agrupamentos 571 – Santo Amaro da Ilha da Madeira e 320 – Évora. “Foi um desafio, foi muito complicado. A nossa atividade começou três dias antes, porque tivémos de carregar as coisas, de dividir duas carrinhas e ir e vir de Évora três vezes”, sublinhou Maria Félix, guia de comunidade. A sua construção é das mais apreciadas pelos outros pioneiros que passam pelo seu campo, tem a forma da planificação de um cubo e cada quadrado é associado a um elemento (Ar, Água, Terra e Fogo). Estes elementos estão tão enquadrados com a técnica escutista que, para fazerem a sua promessa, precisam de saber fazer 35 nós e todos os anos participam noutra atividade realizada aqui no CNAE, o Tecoree, onde se põe à prova a técnica escutista dos pioneiros.
Nos meses que antecedem este acampamento nacional, vários desafios foram propostos pela organização das atividades da 3.ª Secção. Um deles “era fazer uma construção sustentável, que não aumentasse a pegada ecológica”, diz-nos o Daniel, que pertence à comunidade 6 do Agrupamento 295 – N. Sra. Da Conceição – Vila Real. Para cumprirem o desafio, estes pioneiros idealizaram a construção com materiais reciclados. “A madeira toda ela é reciclada, aquela que cortámos é de espécies invasoras como por exemplo a mimosa”, continua, “as telhas são placas feitas com cartão e pacotes de leite usados”, explica o Daniel.

A vida em campo e o desenvolvimento da técnica escutista são alguns dos aspetos do método escutista que mais entusiasmam o escuteiro, e o Acanac torna-se a montra perfeita para cada escuteiro poder demonstra o que de bom aprende e pratica no seu agrupamento durante o ano.

Texto de: Ana Marcelo. Fotografia de: Nuno Perestrelo.
 
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