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As atividades náuticas desenvolveram-se no âmbito do objetivo 14, a preservação dos oceanos.
Artigo publicado a 2017-08-05 /// 158 visualizações
 
Um oásis de conhecimento marítimo e ambiental
Os dias quentes levaram os exploradores a procurar o Porto Seguro na Barragem Marechal Carmona.
Na temática dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, as atividades náuticas desenvolveram-se no âmbito do objetivo 14, a preservação dos oceanos.

A mensagem a transmitir relacionava-se com o futuro dos oceanos e como eles podem afetar o planeta e a nossa vida. Tem sido um tema sensível nos últimos anos com o aumento das temperaturas e do nível médio das águas do mar. Por isso, alguns participantes estavam já familiarizados com ele. Na água, para dar corpo a estas problemáticas, estavam preparados vários jogos, garantido um dia refrescante de diversão e conhecimento.

O jogo das canoas relacionava-se com a poluição das águas. Os exploradores tinham de percorrer uma distância de canoa até à “Ilha dos Plásticos”, réplica da famosa Ilha do Lixo no Pacífico, onde está concentrada uma quantidade gigantesca de plásticos. À semelhança da original, esta Ilha dos Plásticos detinha também velhos artigos plásticos que os exploradores tinham de retirar e trazer de volta. Esta sensibilização é importante, na medida em que a continuação deste mau hábito pode levar a um desastre ecológico de grandes proporções.

Por outro lado, nas jangadas, dinamizou-se o tema da pesca. Os futuros heróis do planeta aprenderam a definição de pesca de arrasto, as suas consequências e o seu contributo económico para quem dela depende. Aprenderam igualmente a importância de preservar a biodiversidade marinha através da realização do Jogo do Kim, onde memorizavam os peixes em perigo, que não deveriam pescar.

Nos insufláveis amarelos e azuis, o objetivo era identificar variadas espécies de peixes, moluscos e crustáceos, adquirindo uma maior noção da vida marinha e refletindo acerca de formas em que pudessem salvar as espécies em perigo.

Nas torres de escalada, o objetivo era alcançar o topo do iceberg, simulando as dificuldades que os animais têm em alcançar um local seguro para ficar, longe da poluição. Por sua vez, a acidez das águas foi abordada no jogo das bolas insufláveis. Devido à poluição, muitos animais sofrem com a falta de oxigénio, o que provoca alterações no organismo e até deficiências físicas.

Entre outras atividades, a Chefe Eunice, do Agrupamento 929-Belém e coordenadora a par com a Região de Braga do Campo Náutico, destacou a Pista de Arborismo Flutuante, realizada pela primeira vez em Portugal. “É a grande atividade deste Acanac. É instável e é assim que os animais se sentem hoje em dia”, referiu, mencionando ainda a ligação da atividade ao imaginário. Esta pista abordava o degelo e refletia na forma como animais, outrora com habitats estáveis, se tinham tornado nómadas por não terem um sítio seguro onde viver.

O Porto Seguro alberga diariamente para atividades cerca de 1600 exploradores com a missão de proteger os oceanos. Sara Dias, exploradora do Agrupamento 396-Vila Nova de Muía, parecia satisfeita com o dia e conhecimentos apreendidos. “Está a ser um dia muito divertido. No início de cada prova, dão-nos uma explicação do que podemos aprender, de que podemos passar as mesmas circunstâncias que alguns animais passam, por exemplo, quando as águas são sujas”, afirmou.

Abelamio José, também participante do Agrupamento 331-S. Dâmaso, reflete um pouco sobre as suas preocupações ambientais depois de um dia repleto de conhecimentos novos. “Nós conseguiremos abraçar o futuro se tudo o que aprendermos hoje, conseguirmos fazer mais tarde, tornar um pouco a vida melhor. Se nós não respeitarmos o nosso ambiente, em breve não haverá nenhum.”, rematou em tom conclusivo.

O Porto Seguro revelou-se bem mais do que isso. Foi um Porto de aprendizagem, alegria, espírito de equipa, entreajuda nas provas e fuga a todo o calor dos últimos dias.

Texto de: Bruna Coelho. Fotografia de: Ricardo Perna.
 
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