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A Fé “inspira-se”, não se “ensina”
Artigo publicado a 2012-01-18 /// 2216 visualizações
 
A Fé “inspira-se”, não se “ensina”
Também o Escutismo se inspira na Fé. A presença de Deus sempre esteve do substrato deste Método, que abrange hoje cerca de 30 milhões de jovens de todas as raças e crenças por todo o mundo.
Embora esta frase seja uma adaptação de uma outra do próprio Baden-Powell, ela reflecte bem a maneira particular como a Fé afecta a vida do homem, não como um simples conhecimento, mas sim, algo que inspira a própria vida, fazendo parte dela de forma intrínseca. Também o Escutismo se inspira na Fé. A presença de Deus sempre esteve do substrato deste Método, que abrange hoje cerca de 30 milhões de jovens de todas as raças e crenças por todo o mundo.
Contributos do Escutismo para a vivência da Fé
Tendo consciência de que a Fé é inerente ao Método Escutista, seja qual for a Religião, torna-se importante perceber como pode um movimento multi-confessional ajudar, de forma evidente, cada jovem a descobrir a presença de Deus, ao mesmo tempo que o envolve num jogo. A resposta a esta preocupação é dada, mais uma vez e de forma espantosa, por BP, que enumera muito sucintamente, quatro contributos do Escutismo para auxílio à descoberta de Deus pelo jovem. São eles: o exemplo pessoal do Dirigente, as Boas Acções, o acompanhamento do desenvolvimento do jovem e o estudo da Natureza.
Melhor que tentar ajudar o jovem a descobrir um trilho é mostrar, através do exemplo pessoal do Dirigente, o seu percurso específico. Para o jovem é muito mais significativo aquilo que o Dirigente faz, através das suas acções, do que aquilo que ele lhe possa dizer simplesmente para fazer, corroborando também que o exemplo é sempre a primeira e a maior forma de educação.
Para além do exemplo pessoal, também as Boas Acções são um meio excepcional de formação cristã. Através da Boa Acção, o jovem cedo descobre o espírito da caridade e da ajuda ao próximo, pela prática, ao invés de por formulações teóricas de bondade, muitas vezes desprovidas de um sentido sincero.
Sendo um percurso de experiências completo, que se inicia aos seis e termina aos vinte e dois anos, o Escutismo permite o acompanhamento do desenvolvimento do jovem, na construção da sua personalidade em todas as fases determinantes. Através do jogo escutista, é possível acompanhar o jovem no seu crescimento, facilitando, apoiando e esclarecendo todas as suas dúvidas, próprias de cada idade, ao longo das várias etapas do seu desenvolvimento.
Por último, mas não menos importante, muito pelo contrário, o estudo da Natureza ganha uma nova dimensão no campo da vivência espiritual. Baden-Powell não criou o Escutismo no seio da vida ao ar livre, apenas por ser o espaço ideal para o conhecimento sincero do jovem, ou para que este possa exercer e desenvolver a sua arte de explorador. Criou-o em comunhão com a natureza, também porque este é um verdadeiro espaço de descoberta de Deus, através da sua própria obra. A contemplação de todas as pequenas-grandes maravilhas da natureza, seja a beleza e detalhe de todas as aves, a delicadeza de cada flor ou imponência de vales e montanhas, fornecerá a cada um uma sincera e importante lição de fé. É fantástico pensar que o espaço a que o Escutismo mais dá valor, a Natureza, é ao mesmo tempo a sua maior e mais evidente forma de demonstração ao jovem da presença de Deus – seja qual for a sua naturalidade – e independentemente da sua religião.

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Texto de: Rúben Duarte. Ilustração de: Pedro Alves.

 
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